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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Til





Título: Til
Autor: José de Alencar
Editora: Ática
Nº de Páginas: 248
Ano de Lançamento: 1872


O livro é dividido em duas partes. A primeira apresenta os personagens e as tramas, pode ser um pouco cansativo e é ideal que seja lida com atenção. Conhecemos Berta, uma menina que chama a atenção por sua caridade, seus valores e sua dedicação para com os excluídos. Muitas vezes Berta esforça-se mais em nome de interesses alheios do que de seus próprios, mas isso não faz dela uma figura ingênua ou boba, muito pelo contrário. Nessa primeira metade da obra a contrariedade do comportamento de Til (apelido da menina) é o que mais chama atenção, ela usa de sua influência e bondade para manipular atitudes alheias, mas sempre movida por boas intenções. Isso fica bem ilustrado no trecho: “Contradição viva, seu gênio é o ser e o não ser”.

A segunda metade é formada de revelações e desembaraços das tramas apresentadas. 
 Os cenários e edifícios deixam de ter descrição puramente material para adquirir significado subjetivo, relacionado ao passado oculto que envolve muitas das personagens. O desfecho surpreende, percebemos o quanto Berta abre mão de sua felicidade, acompanhamos suas descobertas a respeito da misteriosa morte de sua mãe e suas consequências. O temido capanga Jão, o garoto parvo de nome Brás e a escrava doida Zana, representam as figuras excluidas e inválidas que veem na bondade de Til uma esperança . Este é o último trecho do livro:

“Como as flores que nascem nos despenhadeiros e algares, onde não penetram os esplendores da natureza, a alma de Berta fora criada para perfumar os abismos da miséria, que se cavam nas almas, subvertidas pela desgraça. Era a flor da caridade, alma sóror.” 

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